Com apoio do INSEA, Projeto Monokóh avança na criação de cooperativa de moda inclusiva em Belo Horizonte
O apoio do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), por meio do projeto Construindo Ecossistemas Solidários, conhecimento, trabalho e autonomia, marca uma nova etapa na consolidação do Projeto Monokóh, iniciativa da Akasulo, Ponto de Cultura e centro de convivência LGBTQIA+ de Belo Horizonte.
A aquisição de equipamentos de corte e costura viabilizada pelo projeto fortalece a estrutura produtiva do Monokóh e amplia as condições para a realização de atividades de formação, experimentação e produção. O investimento contribui para transformar uma proposta construída coletivamente em uma iniciativa concreta de qualificação profissional, geração de renda e fortalecimento da autonomia de pessoas trans e travestis.
O Monokóh nasceu da percepção de uma demanda ainda pouco atendida pelo mercado: a produção de roupas íntimas e de banho que considerem as necessidades, o conforto e a diversidade dos corpos trans e travestis. A iniciativa parte das experiências de pessoas que, durante anos, encontraram dificuldades para adquirir peças que oferecessem segurança, bom ajuste e reconhecimento de suas identidades.
Essa realidade também alcança outras pessoas com identidades de gênero e sexualidades diversas, que frequentemente enfrentam barreiras para encontrar produtos adequados aos seus corpos e às suas formas de expressão. Diante desse cenário, o Monokóh propõe transformar uma dificuldade cotidiana em oportunidade de formação, trabalho e empreendedorismo.
Inicialmente chamada de Coop Trans, a proposta foi construída de forma coletiva e venceu a edição de 2025 do Baanko Challenge, programa de pré-aceleração de negócios de impacto. Agora, com o apoio do INSEA, a iniciativa avança na estruturação de uma cooperativa de corte e costura voltada à produção de moda inclusiva.
Estão previstos encontros formativos, com conteúdos relacionados a desenho, modelagem, operação de máquinas industriais e empreendedorismo. Ao longo desse percurso, as pessoas participantes devem desenvolver conhecimentos técnicos e de gestão, ao mesmo tempo que atuarão na criação de uma coleção de peças concebidas a partir das particularidades e experiências dos corpos trans e travestis.
Mais do que produzir roupas, o Monokóh pretende criar possibilidades. A proposta reconhece que, para pessoas trans e travestis, encontrar uma peça adequada pode representar conforto, autoestima, segurança, pertencimento e afirmação da própria identidade. A moda, nesse sentido, ultrapassa a dimensão estética e se torna uma ferramenta de inclusão e transformação social.
A experiência acumulada pela Akasulo também oferece uma base importante para o desenvolvimento da iniciativa. A organização já realizou oficinas e estabeleceu parcerias relacionadas à criação de peças e ao aproveitamento sustentável de tecidos, articulando produção consciente, formação profissional e empreendedorismo.
Essa trajetória aproxima o Monokóh de movimentos que defendem práticas produtivas mais éticas, sustentáveis e inclusivas. Democratizar o acesso à moda também significa questionar padrões tradicionais de uma indústria que, historicamente, desconsidera a diversidade dos corpos, das identidades e das formas de viver.
Ao propor uma cooperativa construída a partir das necessidades e dos conhecimentos da própria comunidade, o Monokóh coloca pessoas trans e travestis não apenas como consumidoras, mas como protagonistas da criação, da produção e da comercialização de peças que dialogam com suas vivências.
Com estrutura fortalecida pelo projeto Construindo Ecossistemas Solidários,conhecimento, trabalho e autonomia o Monokóh amplia suas possibilidades de transformar a moda em trabalho, renda e autonomia. Mais do que desenvolver uma coleção, a iniciativa busca produzir conhecimento, pertencimento e novas perspectivas profissionais, afirmando a diversidade como força criativa e econômica.
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