Festival Gastronômico agitou comunidades da Bacia do Paraopeba

O primeiro Festival Gastronômico do Ciclos Ecossistema foi um sucesso. Cerca de 400 pessoas se encontraram para celebrar a vida, a união das comunidades da Bacia do Paraopeba e comer os pratos típicos da culinária mineira, feitos com ingredientes produzidos nos quintais, resgatando valores e tradições. A estratégia de valorizar as tradições locais com o objetivo de fortalecer a economia das comunidades tem sido o caminho e a esperança de retomada econômica das pessoas atingidas pelo desastre-crime de Brumadinho.

Ao som dos mais variados estilos e ritmos musicais, o festival já deixou aquele gostinho de quero mais. “Esse festival foi grandioso. Eu não esperava tudo isso. Estivemos juntos com muitos amigos e eu tenho somente a agradecer a Deus por estar aqui nesse momento. E já estamos esperando o próximo”, exaltou a moradora e cozinheira da comunidade de Padre João em Esmeraldas, Jaqueline Júlia dos Santos.

A Rede dos Atingidos e Atingidas da Região 3 somou esforços na parceria para a realização do Festival e reforçaram a importância da união das comunidades da Bacia. “Esse trabalho nosso de Rede, como o próprio nome diz, é a somatória de todos os povos atingidos. É um trabalho que começamos lá em 2020. E estamos muito orgulhosos de ver representantes desses povos aqui presente. Que a gente saia daqui com o espírito de que precisamos cooperar uns com os outros, porque sozinhos não chegaremos a lugar nenhum. Que o Ecossistema Ciclos seja estabelecido nas outras regiões e que todos possam fazer parte”, destacou Abdalah Nacif, do município de Fortuna de Minas.

Apesar do Festival Gastronômico do Ciclos Ecossistema ter ocorrido do município de Esmeraldas, que fica localizado na Região 3 da Bacia do Paraopeba, o encontro contou com participantes das regiões 4 e 5, que sã formadas pelos municípios de Curvelo, Pompéu, Felixlândia, São Gonçalo do Abaeté, Três Marias, Abaeté, Martinho Campos, Morada Nova de Minas, Biquinhas e Paineiras.

Foram servidos pratos típicos e aquela comida de feira bem tradicional. Desde arroz vermelho com fraldinha, galinhada, arroz com pequi, paeja caipira, peixe assado na folha da patioba (receita indígena do povo Pataxó), ao tradicional tropeirão, macarrão na chapa, espetinhos e aquele sanduíche que não poderia faltar. Tudo produzido por representantes das comunidades da Bacia do Paraopeba.

“A gente quis trazer para esse espaço toda a troca que pode acontecer entre as comunidades. As receitas e as tradições, os conhecimentos de forma geral, com a ideia de ser o momento dessas comunidades pensarem novas oportunidades econômicas para o território. A gente teve um público bem diverso. Indígenas, catadores e catadoras de materiais recicláveis, pessoas atingidas pela barragem, convidados institucionais, representando os nossos parceiros, todos unidos para fazer desse espaço um lugar de intercâmbio”, destacou Leila Regina, da diretoria de relações institucional do Insea.

A participação dos catadores e catadoras de materiais recicláveis na realização do evento e na organização da gestão de resíduos do encontro foi um ponto a se destacar. Com o objetivo de trabalhar na educação ambiental, catadores e catadoras de diversas associações e cooperativas da Região Metropolitana de Belo Horizonte estiveram presentes.

“Estamos aqui enquanto agentes multiplicadores de uma ação de educação ambiental. E hoje é uma etapa importante do processo de educação dessa galera que está aqui hoje. É uma aproximação importante do movimento que uni o campo e a cidade, buscando o avanço na conscientização da gestão dos resíduos”, comenta Luiz Henrique Silva, representante da coordenação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

Além dos pratos servidos, também houve quitandas e produtos artesanais feitos pelas comunidades dos diferentes municípios atingidos pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho.  


Descubra mais sobre INSEA

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima