Catadoras e Catadores se unem para fortalecer reciclagem e criar rede regional no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba

Projeto Cataforte impulsiona estruturação da Rede Trialto, com investimentos em equipamentos, capacitação e articulação entre organizações de oito municípios mineiros

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Nove organizações de catadoras e catadores de materiais recicláveis de diferentes municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba estão construindo um novo capítulo para a reciclagem popular na região.
Por meio do PROJETO CATAFORTE, iniciativa em parceria com a Fundação BB, BNDES, Governo do Brasil, com a colaboração da: Cooperu, MNCR, ANCAT  e do INSEA, associações e cooperativas vêm recebendo investimentos em infraestrutura, formação técnica e apoio à gestão, fortalecendo o trabalho coletivo e avançando na criação da Rede Trialto, iniciativa que busca ampliar a capacidade de organização e comercialização conjunta dos grupos.

A proposta reúne organizações de cidades como Araxá (RECICLAGEM DONA BEJA e RECICLARA), Uberaba (COOPERU), Uberlândia (ASSOTAIAMAM), Araguari (ASCAMARA), Capinópolis (COOPTAL), Conceição das Alagoas (ACOREG), Tupaciguara (ASCAMAT), Ituiutaba (COPERCICLA), conectando realidades distintas. Enquanto algumas entidades já possuem estrutura consolidada e contratos com prefeituras, outras ainda estão em fase de regularização e fortalecimento institucional.

Segundo Ângela Oliveira – Psicóloga social – Coordenação de projetos do INSEA, representante da equipe de assessoria do projeto, o principal objetivo é garantir condições para que as organizações se desenvolvam de forma sustentável e possam atuar em rede.

“O Projeto Cataforte tem o objetivo de fortalecer as organizações e estruturar a Rede Trialto. Para isso, estão previstos investimentos em equipamentos, veículos, assessoria técnica e capacitação para as associações e cooperativas filiadas à rede”, afirmou.

Além dos investimentos físicos, o projeto aposta na formação continuada dos grupos. Encontros presenciais e virtuais vêm sendo realizados para discutir o modelo de funcionamento da rede, regras de participação, formas de comercialização conjunta e construção coletiva do estatuto da futura cooperativa de segundo grau.

“Como se trata de uma nova organização, é importante que os grupos se conheçam e comecem a pensar juntos como comercializar em conjunto, quais serão as regras e como será o funcionamento da rede”, explicou Ângela Oliveira.

A nova etapa do Projeto Cataforte foi oficialmente marcada no dia 1º de junho de 2026, durante uma solenidade realizada na sede da Cataunidos, que reuniu representantes de cooperativas, associações e organizações parceiras para a assinatura dos novos termos de cooperação do programa.

O encontro simbolizou o fortalecimento das alianças construídas entre os empreendimentos de catadoras e catadores e consolidou o compromisso coletivo com a estruturação das redes de reciclagem popular em Minas Gerais. A cerimônia contou com a participação de diversas organizações ligadas ao setor, reforçando a importância da cooperação regional para o desenvolvimento das iniciativas.

A assinatura dos novos termos representa o início de uma nova fase do Cataforte, voltada ao fortalecimento institucional das cooperativas e associações, ampliação das capacidades organizativas e promoção de estratégias conjuntas para geração de renda, comercialização e gestão de resíduos sólidos.

Realizada em um espaço simbólico para o movimento dos catadores, a solenidade reafirmou o papel da articulação em rede como caminho para ampliar direitos, fortalecer os empreendimentos e consolidar os catadores como protagonistas da economia circular e da justiça socioambiental.

Equipamentos melhoram condições de trabalho

Os recursos obtidos por meio do projeto já começam a gerar impactos concretos no dia a dia dos catadores. Entre os equipamentos adquiridos estão esteiras de triagem, empilhadeiras e mesas de triagem, que ajudam a reduzir o esforço físico e aumentam a produtividade das associações.

Representando a Associação Dona Beja, Breno Crispim destacou a importância das melhorias para os trabalhadores.

“Conseguimos equipamentos para o trabalho, como empilhadeira e mesa para separação de materiais. Com a mesa em uma altura adequada, a gente não precisa estar desgastando o corpo. Ela está lá servindo para a gente”, relatou.

O associado também ressaltou o compromisso ambiental da categoria.

“Estamos todos unidos, trabalhando para ter uma natureza melhor e ajudar o meio ambiente. É isso que fazemos e é o nosso trabalho.”

Em Conceição das Alagoas, os avanços também são celebrados como resultado da articulação entre diferentes parceiros institucionais e do esforço coletivo dos trabalhadores.

Para Uriel Guimarães, catador associado da ACOREG, a construção da rede representa uma oportunidade de troca de experiências e fortalecimento mútuo.

“Se a gente não tiver união, força e troca de conhecimento, fica muito mais difícil. Estamos agradecendo todo esse apoio e essa força que recebemos”, afirmou.

Rede busca ampliar direitos e oportunidades

Presidente da Cooperativa dos Recicladores de Uberaba (COOPERU), José Eustáquio destacou o papel da cooperação regional para enfrentar desafios históricos do setor e ampliar a representatividade dos catadores.

“A Rede Trialto vem com o intuito de buscar mais facilidade para o nosso trabalho e também mais unidade para conquistar direitos. Quando trabalhamos juntos, conseguimos construir caminhos mais fortes para todas as cooperativas e associações.”

José Eustáquio também ressaltou a importância do trabalho de formação realizado junto aos grupos.

“As associações ainda enfrentam muitas limitações. O trabalho coletivo não é fácil, mas estamos construindo um caminho comum, respeitando as particularidades de cada organização.”

Durante os encontros promovidos pelo projeto, uma das propostas defendidas pelos participantes foi a inclusão da educação ambiental no currículo escolar como estratégia para formar novas gerações mais conscientes sobre a gestão de resíduos e a preservação ambiental.

“É importante que as crianças comecem a estudar essa questão desde cedo.
O meio ambiente está cada vez mais sacrificado e precisamos formar pessoas para cuidar dele”, defendeu José Eustáquio.

Ao fortalecer associações e cooperativas, promover capacitação e incentivar a atuação em rede, o Projeto Cataforte e a Rede Trialto buscam consolidar um modelo de desenvolvimento que alia geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental, transformando os catadores em protagonistas de uma economia circular mais justa e organizada no interior de Minas Gerais.

Vera Freitas – Presidente da ACOREG – Conceição das Alagoas destacou que uma das ações mais importantes proporcionadas pelo Projeto foi o apoio à reorganização institucional da associação. Segundo ela, o projeto viabilizou a realização de assembleia para alteração do estatuto e contribuiu diretamente para a regularização documental da entidade, etapa considerada fundamental para o fortalecimento do grupo e acesso a novos investimentos. Vera relata que, antes da entrada na Rede Trialto, a associação enfrentava dificuldades estruturais e burocráticas, o que limitava o acesso a equipamentos essenciais para o trabalho, como prensa, esteira, balança e empilhadeira. Com o apoio técnico e organizativo do Cataforte, a entidade avançou no processo de formalização e passou a integrar a rede de cooperação regional. Ela também ressaltou os ganhos obtidos na área de comunicação e formação, afirmando que o trabalho de mídia e as atividades promovidas pelo projeto representaram um aprendizado significativo para a associação. “Melhorou uns 90%, porque depois disso nós aprendemos muitas coisas”, afirmou, agradecendo ao Projeto Cataforte e à Rede Trialto pelo apoio na construção dessa nova etapa da organização.

 

Texto e fotos: Luiz Filipe

Edição: Ângela Oliveira – Psicóloga social – Coordenação de projetos do INSEA

 


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