Indígenas atingidos pela barragem da Vale em Brumadinho marcam presença no Acampamento Terra Livre 2026

Juventude e mulheres indígenas são pautas de destaque no encontro nacional que reuniu mais de 7 mil pessoas

Com o tema  “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós” a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) ocorre em Brasília durante essa semana, entre os dias 6 e 11 de abril, com a  presença de mais de 7 mil indígenas de todo o Brasil. Os grupos estão acampados no Eixo Cultural Ibero-Americano (antiga Funarte), no centro da capital federal.

Representantes das aldeias atingidas pelo crime da Vale em Brumadinho participam do encontro acompanhados das analistas técnicas da Assessoria Técnica Independente (ATI) Indígena – Insea. O grupo está participando da programação do evento e destaca a importância de encontrar com representantes de outros povos e trocar experiências se reconhecendo em uma mesma luta, independente da região em que estão inseridos.

“É a primeira vez que participo do ATL. Uma experiência única. Participando dos debates, fortalecendo o nosso povo, conhecendo os parentes de outras regiões, sabendo que estão sofrendo com a mesma luta que nós. É uma experiência muito boa. Aqui a gente está vendo a diversidade da cultura indígena, os adereços, os cânticos, tudo isso é uma experiência muito inovadora pra gente”, ressalta o representante da Aldeia Katurãma, localizada em São Joaquim de Bicas – MG, Txihi Xohã – Endreo.

Na terça-feira, 7 de abril, ocorreu a marcha “Congresso inimigo dos povos: Nosso futuro não está à venda”, até a Esplanada do Ministérios com o objetivo de denunciar o desmonte das legislações que defendem os direitos dos povos originários, avançando em uma legislação que ataca estes direitos, como, por exemplo, a liberação de mineração em terras indígenas e a lei aprovada pelo congresso nacional em dezembro de 2025, que estabelece o marco temporal para demarcação de terras indígenas somente para aqueles grupos que já ocupavam a terra até 1988, ano de criação da Constituição Federal Brasileira.

As aldeais Naô Xohã Sucupira e Katurãma, localizadas respectivamente no minicípio de São Joaquim de Bicas/MG, marca a relevante participação dos jovens indígenas das etnias Pataxó e Pataxó Hãhãhãe.

Dxá’cy, representante da aldeia Naô Xohã Sucupira, destaca a importância da participação dos jovens indígenas na ATL 2026 para já avançarem no entendimento dos direitos dos povos indígenas. “Não podemos deixar os nossos jovens isolados na nossa aldeia, longe de tudo. Eles precisam sair para entender que as dificuldades não estão somente na aldeia onde vivemos. Todos enfrentamos as mesmas dificuldades. Precisamos ir em frente porque o que nós queremos é ser feliz em nossas terras e com a nossa cultura”, destaca a indígena.

Outro momento de destaque no ATL 2026 foi a plenária promovida pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), “Respeitem corpos e territórios; Ancestralidade é força, território é vida”, na quarta-feira, 8 de abril. Com o objetivo de ressaltar o protagonismo das mulheres indígenas e fortalecer as vozes femininas na causa dos povos originários, além de articular organizações que defendem políticas públicas que enfrentam a violência contra as mulheres e que também às coloquem na disputa de espaços públicos.

“Essa foi uma das plenárias mais cheias, até o momento, na ATL. Foi um momento onde as mulheres dos diversos territórios trouxeram as denúncias, tanto de violências sofridas dos próprios corpos, mas também contra seus territórios e que a falta de demarcação é responsável pelo aumento dessas violências. Denunciaram a falta de políticas públicas para o enfrentamento de questões que colocam as mulheres indígenas em situação de maior vulnerabilidade. Para além das denúncias, essas mulheres também apontaram que o processo organizativo delas tem sido uma resposta importante no fortalecimento e na produção de respostas à essas violências sofridas nos territórios”, enfatizou a analista de saúde da ATI Indígena INSEA, Bernadete Esperança.

O encerramento do ATL 2026 está marcado para sexta-feira, 10 de abril, quando deve acontecer a leitura de um documento final da mobilização. A programação completa do ATL 2026 pode ser conferida no site oficial da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), www.apiboficial.org

Texto: Marcio Martins

Edição: Leandro Lopes

Fotos: Bernadete Moteiro

 

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