Abril Indígena – Tradição, Resistência e Futuro
O mês de abril, reconhecido como o mês dedicado aos povos indígenas, foi marcado por relevantes atividades que buscam a manutenção das tradições indígenas e o fortalecimento da luta pela garantia de direitos dos povos originários no Brasil. E o Insea, por meio da Assessoria Técnica Independente (ATI), prestada ao povos Pataxó e Pataxó Hãhãhãe, esteve presente junto das aldeias atingidas pelo rompimento das barragens da Vale S.A. em Brumadinho/MG.
O início do mês foi marcado pela 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. Representantes das aldeias Naô Xohã Sucupira e Katurãma, juntamente com analistas da ATI Insea, participaram do encontro que contou com mais de 7 mil participantes, segundo a organização.
Alguns dos destaques do evento foram a marcha até a Esplanada dos Ministérios que ganhou o nome de “Congresso inimigo dos povos: Nosso futuro não está à venda”, que teve como objetivo denunciar as legislações brasileiras que desrespeitam a existência dos povos indígenas; e a plenária “Respeitem corpos e territórios; Ancestralidade é força, território é vida”, que deu voz às mulheres indígenas que lutam por respeito e pelo fim da violência contra as mulheres.
O acampamento ocorre em Brasília, sempre no mês de abril de cada ano e é promovido, principalmente, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
Jogos Indígenas
Outra atividade que ocorreu durante o Abril Indígena foram os Jogos Indígenas. Nos dias 17 e 18 a aldeia Katurãma recebeu centenas de pessoas que puderam vivenciar um pouco das tradições indígenas. A abertura contou com o Awê da comunidade com danças e cantos típicos e um belo café da manhã. A Cacica Ãgohó abriu o evento agradecendo a presença de todos e destacou a necessidade das parcerias firmadas para a realização do encontro.
“Estamos aqui com os jogos indígenas para resgatar e fortalecer a nossa cultura. Antigamente os nossos mais velhos praticavam a caça com o arremesso de tacape e o arco e flecha, mas hoje trazemos como modalidade dos jogos para mostrar para os nossos filhos e netos a importância e o significado de cada modalidade dessas”, lembra o professor da escola indígena, Xohã Pataxó.
O encontro contou com a participação de visitantes da cidade de São Joaquim de Bicas, além de estudantes de escolas municipais do próprio município e também de Betim. Além dos jogos indígenas locais, também acontecem organizações estaduais e federal por todo o país.
Na aldeia Naô Xohã Arakuã ocorreram os jogos indígenas na escola da Aldeia. O evento, que se passou no dia 23 de abril, trouxe uma novidade para as crianças e adolescentes. O campeonato de Patxôhã, promovido em parceria com a ATI Insea, testou os conhecimentos dos estudantes em relação à língua originária dos Pataxós e Pataxós Hãhãhãe.
“Esse ano a gente incentivou os professores a realizarem o campeonato de Patxôhã na escola. E essa foi a primeira experiência de realização do campeonato nos jogos indígenas. Nós discutimos uma sequência de tarefas para fortalecer a nossa língua. Eu gostei muito! Percebi que tem muitas crianças que já estão mais atentas com o aprendizado da língua”, destacou a analista de educação da ATI Insea, Anarí Braz.
A retomada e valorização das línguas indígenas é um desafio colocado no Brasil pelo Ministério dos Povos Indígenas e mundialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU) que ganhou força desde 2022 com a “Década Internacional das Línguas Indígenas (2022 – 2032), que visa promover os direitos dos povos indígenas. A ação também está alinhada ao cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 16 da ONU, que busca ampliar o acesso público à informação, proteger liberdades fundamentais e garantir a igualdade de acesso à justiça para todos.
Segundo o Censo 2022, existem 295 línguas indígenas faladas por 391 povos diferentes em todo o Brasil. Com 474.856 falantes de dois anos ou mais de idade. As três línguas com maior número de falantes são: Tikúna (51.978), Guarani Kaiowá (38.658) e Guajajara (29.212).
Saúde
A saúde indígena é sempre um tema de extrema relevância, que deve ser lembrado em busca de avanços significativos junto aos povos originários. Sejam eles em contexto urbano ou rural. Em comunidades ou individualmente.
A ATI Insea acompanha regularmente as aldeias atingidas pelo crime da Vale em Brumadinho. As ações complementares de saúde no âmbito da reparação são realizadas como obrigação de fazer e de pagar da mineradora.
Nos dias 15 e 16 de abril a ATI Insea participou do encontro sobre saúde indígena no Espaço do Conhecimento, em Brumadinho. Um momento de diálogo sobre a saúde nas aldeias, principalmente nas aldeias atingidas pelo crime da Vale em Brumadinho.
A saúde indígena é sempre um tema de extrema relevância, que deve ser lembrado em busca de avanços significativos junto aos povos originários. Sejam eles em contexto urbano ou rural. Em comunidades ou individualmente.
A ATI Insea acompanha regularmente as aldeias atingidas pelo crime da Vale em Brumadinho. As ações complementares de saúde no âmbito da reparação são realizadas como obrigação de fazer e de pagar da mineradora.
Nos dias 15 e 16 de abril a ATI Insea participou do encontro sobre saúde indígena no Espaço do Conhecimento, em Brumadinho. Um momento de diálogo sobre a saúde nas aldeias, principalmente nas aldeias atingidas pelo crime da Vale em Brumadinho.
“É um momento importante para afinar o trabalho entre as equipes que você tem com vários atores diferentes levando saúde para os povos. Quanto mais entrosados estiverem, melhor. O Dsei, a Vale, por meio das ações da reparação, e o município por ter essa obrigação natural. É um encontro que permite identificar o que é feito e proporcionar uma melhoria no atendimento”, destaca o chefe da Divisão da Saúde Indígena Dsei MG/ES, Wallace Rocha Siqueira.
Também participaram do espaço representantes das aldeias Naô Xohã Arakuã, Naô Xohã Sucupira e Katurãma, representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena – DISEI, da Secretaria de Saúde Indígena – SESAI, trabalhadores e trabalhadoras da saúde indígena local, representantes das secretarias municipais de saúde de Brumadinho e São Joaquim de Bicas e representantes da mineradora Vale.
“É importante pensar que a saúde indígena tem relação com os cuidados tradicionais de cada povo. Então, precisamos fortalecer essa autonomia e esse processo de autocuidado e de cuidado com as comunidades em diálogo com esses conhecimentos tradicionais. É preciso não só respeitar quanto fortalecer e valorizar os cuidados tradicionais da saúde indígena”, ressalta a analista de saúde da ATI Insea, Bernadete Esperança.
Encontro de Mulheres Indígenas
Para fechar o Abril Indígena, passando pelas diferentes pautas, foi realizado no dia 30, no Espaço Ciclos, em Esmeraldas, o Encontro das Mulheres Indígenas. O evento, promovido pelo Insea, contou com a participação de representantes de diferentes etnias, além de mulheres representando a Rede de Atingidos da Região 3 da bacia do Paraopeba e representantes das catadoras de recicláveis da Rede Cataunidos.
O evento fez parte de um conjunto de encontros que estão sendo realizados com mulheres com o objetivo de trabalhar novas propostas e projetos de recuperação e desenvolvimento sustentável.
“Esse encontro vem com o propósito de promover um intercâmbio entre essas realidades. Muitas vezes essas mulheres compartilham de uma mesma realidade, de violação, de desrespeito ou de luta pelos seus direitos e de construção e transformação das suas vidas, mas não se conhecem”, destaca a diretora de relações institucionais do Insea, Leila Regina.
Os encontros das mulheres no Ecossistema de Cooperação e Transição têm também como objetivo central de juntas criarem uma rede de desenvolvimento sustentável para seus territórios, aprendendo a lidar com a ameaça da crise climática, os desafios relacionados aos crimes ambientais e com a precarização do trabalho. “Somos nós mulheres construindo alternativas de desenvolvimento, trabalho e bem viver para nós mesmas”, completa Leila.
Jizelma, da aldeia Xucuru Kariri Arapowã Kakyá, localizada em Brumadinho/MG, participou do encontro e destacou a importância dessa promoção da troca de ideias entre mulheres de diferentes tradições e lugares. “Seja a mulher indígena ou não indígena, os problemas estão sempre acontecendo. Esse encontro fortalece muito sobre o valor da mulher, o lugar que a mulher tem que estar, que é onde ela quiser, fazendo o que ela quiser”, destaca a indígena.
Texto e fotos: Marcio Martins
Edição: Leandro Lopes

