Visita presidencial evidência economia circular e protagonismo dos catadores em Minas Gerais

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Refinaria Gabriel Passos (Regap), nesta sexta-feira (20/03), não se restringiu ao anúncio de investimentos industriais. O encontro também colocou em evidência uma agenda estratégica que conecta transição energética, inclusão produtiva e economia circular: o avanço do projeto Óleo Circular Solidário.

Durante a agenda, o presidente teve contato direto com catadores da Rede Cataunidos, representantes do projeto Óleo Circular Solidário, protagonistas de uma cadeia que transforma resíduo em recurso. A presença desses trabalhadores no centro da visita sinaliza um deslocamento relevante na política energética: o reconhecimento de que a sustentabilidade não se constrói apenas com tecnologia, mas com arranjos sociais e produtivos enraizados nos territórios.

O Óleo Circular Solidário se estrutura como um hub de economia circular na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A iniciativa executada pela Rede Cataunidos com apoio do Insea e do Movimento Nacional dos Catadores e Catadoras- MNCR envolve 35 associações e cerca de 700 catadores, organizando a coleta de óleo de cozinha residual  um passivo ambiental significativo para reinserção na cadeia produtiva, especialmente na produção de biocombustíveis.

Mais do que um projeto ambiental, trata-se de um modelo de desenvolvimento que articula renda, infraestrutura e formalização do trabalho. A coleta de óleo residual, historicamente marginalizada e informal, passa a ser integrada a uma lógica industrial, com previsibilidade econômica e reconhecimento institucional. A expectativa é que a operação gere impacto direto na renda dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que amplia a oferta de matéria-prima renovável.


Nesse contexto, a atuação da Petrobras, por meio de seus programas socioambientais e da Petrobras Biocombustível, evidencia uma estratégia que combina descarbonização com inclusão produtiva. A integração entre catadores e a cadeia de biodiesel reposiciona a categoria não apenas como agentes ambientais, mas como elos estruturantes da transição energética.

A visita do presidente LULA, portanto, opera em duas dimensões complementares: simbólica e operacional. Simbólica ao reconhecer publicamente os catadores como atores centrais da economia circular; operacional ao reforçar investimentos que estruturam essa cadeia de forma mais robusta e escalável.

Ao colocar o Óleo Circular Solidário na agenda, o evento aponta para um paradigma em que políticas industriais e sociais deixam de ser tratadas de forma dissociada. Em vez disso, passam a convergir em iniciativas que combinam mitigação de impactos ambientais, geração de trabalho e fortalecimento de economias locais, um movimento que reposiciona Minas Gerais como território estratégico dessa transição.

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