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Carnaval de BH impulsiona reciclagem e catadores batem recorde.

Durante os quatro dias de folia nas ruas de Belo Horizonte, o brilho dos blocos veio acompanhado de um trabalho silencioso e essencial: o dos catadores de materiais recicláveis. Entre sábado e terça-feira (14 a 17 de fevereiro), mais de 50 toneladas de resíduos foram recolhidas, triadas e destinadas à reciclagem, estabelecendo um novo recorde do projeto Reciclabelô.

O volume representa um crescimento de 25% em relação ao Carnaval anterior, quando cerca de 40 toneladas foram coletadas. A expectativa é que o total final alcance 55 toneladas, já que a pesagem completa dos materiais ainda está em andamento.

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Estrutura ampliada e atuação organizada

Em sua terceira edição, o Reciclabelô mobilizou aproximadamente 440 catadores autônomos vinculados a quatro cooperativas da capital. Eles acompanharam os principais cortejos da cidade, atuando na coleta de latas, plásticos, papelões e outros resíduos reaproveitáveis.

Para dar suporte à operação, foram instaladas quatro centrais de triagem estrategicamente distribuídas pela cidade. As estruturas contaram com tendas, mesas, cadeiras, fornecimento de energia elétrica, água, gelo e segurança privada 24 horas. O investimento municipal para viabilizar a infraestrutura foi de R$ 114,2 mil.

Segundo a prefeitura, o Reciclabelô é atualmente o maior projeto de inclusão de catadores autônomos no Carnaval brasileiro, integrando sustentabilidade, geração de renda e organização produtiva.

Geração de renda e remuneração por desempenho

Além da estrutura física, o município destinou R$ 499,3 mil para a contratação dos trabalhadores, em parceria com a Copasa. O valor assegurou uma diária mínima de aproximadamente R$ 200 para cada participante cadastrado.

A remuneração foi baseada em metas e produtividade. A coleta de 30 quilos de recicláveis por dia garantia o valor-base da diária. A partir desse volume, o pagamento aumentava conforme o peso adicional recolhido e registrado no sistema de identificação individual.

Durante o Carnaval, o quilo da lata foi comercializado a R$ 8,50, o plástico a R$ 1,50 e o papelão a R$ 0,30. Cada trabalhador teve sua produção contabilizada por meio de crachá, conferido no momento da pesagem, assegurando transparência no repasse.

Reconhecimento e formalização da atividade

A iniciativa também fortaleceu o trabalho de associações tradicionais da cidade, como a Asmare, além da Coopersoli Barreiro, Coopesol Leste e Associrecicle.

Com mais de três décadas de atuação, a Asmare já realizava coleta durante o Carnaval, porém sem apoio financeiro estruturado. A formalização do projeto ampliou o número de trabalhadores cadastrados, ofereceu melhores condições de segurança e garantiu remuneração previsível.

Impacto ambiental equivalente a caminhões cheios

Para dimensionar o resultado, um caminhão de lixo convencional comporta entre 10 e 15 toneladas. Assim, o volume recolhido nas ruas da capital mineira equivale a quatro ou cinco caminhões totalmente carregados — material que deixou de seguir para aterros e retornou à cadeia produtiva.

O projeto conta ainda com a parceria do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT-MG) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), consolidando uma articulação institucional voltada à sustentabilidade e à inclusão social.

Com o recorde alcançado neste ano, o Reciclabelô reforça o protagonismo dos catadores no maior evento popular da cidade e amplia o debate sobre economia circular em grandes eventos públicos.

Referência técnica e articulação institucional

O avanço do Reciclabelô também dialoga com frentes de atuação do INSEA, reconhecido nacionalmente pela implementação de projetos estruturados de gestão ambiental, com foco em inclusão produtiva, fortalecimento de cooperativas e promoção da economia circular.

Atuamos como parceira estratégica da Asmare e de diversas outras associações de catadores em diferentes municípios, contribuindo com assessoria técnica, modelagem de projetos, capacitação e articulação com o poder público e a iniciativa privada.

Essa integração entre organizações da sociedade civil, cooperativas e órgãos públicos tem sido determinante para profissionalizar a atividade dos catadores, ampliar a eficiência operacional e consolidar políticas permanentes de gestão de resíduos sólidos em grandes eventos e no cotidiano urbano.

 

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